O Mercado Bitcoin pausou a plataforma depois de um ataque. O golpe que vem agora mira quem está sem acesso à conta
A maior corretora de criptomoedas do Brasil foi atacada na madrugada de 2 de novembro e está com o app fora do ar, sem saque nem depósito. O MB diz que os ativos dos clientes estão garantidos e avisa que não entra em contato pedindo senha, código ou transferência. Quem pedir não é o MB.

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Na madrugada de segunda-feira, 2 de novembro, carteiras do Mercado Bitcoin, o MB, foram esvaziadas. Segundo a Hypernative, empresa de monitoramento em blockchain citada pelo Tecnoblog, a maior parte das transferências aconteceu entre 3h19 e 3h53, no horário de Brasília, para endereços recém-criados. Foi quatro dias depois do ataque à Binance, que já cobrimos aqui.
Às 9h56, o MB publicou no X que tinha identificado e contido "um incidente de segurança em um de nossos sistemas", que não houve prejuízo aos clientes nem vazamento de dados, e que depósitos e saques estavam suspensos "como medida preventiva". À noite, disse ter suspendido "o acesso aos serviços". Nesta terça, 3, o app continua indisponível.
O que já se sabe
- Quanto. No balanço desta terça, o MB diz que os ativos afetados somam o equivalente a US$ 36,3 milhões, e que já bloqueou US$ 12,9 milhões. Na noite de segunda, falava em cerca de US$ 38 milhões e US$ 11 milhões bloqueados, com ajuda da Tether, da Circle, da Paxos, do consórcio do BRL1 e da Chainalysis. As estimativas de fora são maiores: a Hypernative falou em mais de US$ 40 milhões saídos de carteiras ligadas à corretora. Os números medem coisas diferentes, e o do MB é o único que desconta o que já foi travado.
- Como. O MB não disse como o atacante entrou nem qual sistema foi afetado. Também não há, até agora, nada público que ligue o caso ao ataque à Binance.
- E o cliente. "Os ativos dos clientes estão garantidos", diz o MB, e "os saldos continuam registrados nas respectivas contas". Na segunda à noite, a corretora já tinha dito que o cliente "não terá nenhuma perda de ativos". O MB afirma ter informado as autoridades, sem dizer quais.
- Quando volta. Sem data. A plataforma "segue pausada até termos certeza de que a retomada é segura". Na tarde desta terça, o MB disse que pretende restabelecer os serviços "gradualmente", à medida que cada funcionalidade passar pelas verificações de segurança, e que "algumas operações" podem voltar antes de outras. Promete comunicar cada etapa com antecedência, pelos canais oficiais.
O golpe que vem agora
App fora do ar, saldo que não dá para ver, saque travado e notícia de milhões roubados. É o cenário que o golpista espera, e desta vez o cliente é brasileiro, recebe mensagem em português e paga por Pix.
O roteiro esperado é o mesmo que descrevemos no caso da Binance e no golpe da recuperação, com o nome do MB na frente:
- um "suporte do Mercado Bitcoin" que aparece no WhatsApp, por SMS ou por ligação, dizendo que a sua conta foi afetada pelo ataque;
- um pedido de senha, do código que chegou por SMS ou do código do app autenticador, "para validar a sua conta";
- um link para baixar um "app novo" ou uma "atualização de segurança" fora da loja oficial;
- um aviso de que "a sua conta já foi liberada" ou está "na primeira fase da retomada", com link para entrar;
- um link para "antecipar o saque" ou "liberar o saldo", com uma "taxa", um "imposto" ou um Pix "de verificação";
- um pedido para transferir as suas criptomoedas para uma "carteira segura" enquanto a plataforma está parada;
- uma "empresa de recuperação" que diz rastrear o ataque e devolver o que você perdeu.
O próprio MB já respondeu a quase tudo isso. No comunicado desta terça, a corretora escreve que "não entra em contato pedindo senha, código ou transferência" e que o cliente não precisa "reinstalar o app nem trocar de aparelho". Até a tarde de 3 de novembro, nos comunicados do MB no X, não localizamos pedido para o cliente preencher formulário, baixar outro aplicativo, mover saldo ou pagar qualquer valor para ter os ativos de volta.
O que fazer enquanto a plataforma está parada
- Acompanhe só o perfil oficial. As atualizações estão saindo no perfil @MercadoBitcoin no X. A volta vai ser por etapas, e notícia de "retomada" que chega por mensagem, com link, não vale: confira no perfil e entre pelo app que você já tem.
- Não instale nada. O MB diz que não é preciso reinstalar o app. Se quiser reinstalar mesmo assim, só pela App Store ou pelo Google Play, nunca por link ou arquivo recebido.
- Não passe código para ninguém. Código de SMS, de e-mail ou do autenticador serve para entrar na sua conta. Quem pede está tentando entrar nela.
- Não pague para receber. Taxa, imposto ou Pix para "liberar" o saldo é golpe, como era no caso da Binance.
- Se já caiu, fale com o seu banco na hora e peça o MED pelo Pix, registre boletim de ocorrência e guarde as conversas e os comprovantes. Se a cripto já saiu, explicamos o que ainda dá para fazer em Paguei por Pix e virou cripto.
Em uma linha
O MB diz que os ativos dos clientes estão garantidos e que não pede senha, código nem transferência. Qualquer mensagem em nome do Mercado Bitcoin que peça um desses três, um app novo ou uma taxa para "liberar" o saldo é golpe.
Recebeu uma mensagem assim? Relate o caso. O relato não recupera dinheiro, mas ajuda a mapear quem está aplicando o golpe e alerta quem vem depois.
Fontes
- Mercado Bitcoin, no X — comunicado oficial (02/11/2026, 9h56), atualização da noite e valores e bloqueio (02/11/2026, 20h17), status de 3 de novembro (03/11/2026, 12h17), bloqueios e plano de retomada (03/11/2026, 13h01)
- Tecnoblog — Mercado Bitcoin pode ter perdido R$ 217 milhões em ataque hacker (02/11/2026), com a estimativa e os horários da Hypernative
- Unchained — Brazil's Mercado Bitcoin puts security incident at $38 million, says clients won't lose assets (03/11/2026)
- Cryptoid — Ataques à Binance e ao Mercado Bitcoin ampliam alerta sobre segurança das corretoras de criptoativos (03/11/2026)
- CyberX — Ataque à Binance e o golpe que vem depois, Golpe da recuperação e Paguei por Pix e virou cripto
Sobre o autor

Robert F.
solicitar canal seguroRobert F. é fundador da CyberX, operação de inteligência digital aplicada à investigação, com base no Brasil e alcance sem fronteiras.
Trabalha com OSINT, rastreamento on-chain e antifraude para áreas jurídicas, compliance corporativo, antifraude bancário e autoridades públicas.
Nas publicações da CyberX escrevemos sobre o que pode ser dito em público — tipologias de fraude e golpe, ameaça digital, rastreamento on-chain, regulação e o que distingue investigação de consulta. Nunca sobre caso que atendemos, cliente, matéria sob segredo de justiça, ou detalhe operacional que comprometa uma investigação em curso — a nossa ou a de terceiros. Caso de terceiro entra pelo ato oficial público, e pelo que ele ensina, não pelo que expôs.
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A CyberX atua em inteligência digital aplicada à investigação — OSINT, rastreamento on-chain e antifraude. Este conteúdo é informativo e não constitui orientação jurídica.
como escrevemos →Fonte: https://cyberx.to/noticias/mercado-bitcoin-ataque-o-golpe-que-vem-depois
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